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BELÉM, PA, Brazil
Sou Engenheiro Agrônomo, Doutorando Em Desenvolvimento Econômico, Território E Meio Ambiente, Mestre Na Área De Gestão Dos Recursos Naturais E Desenvolvimento Local Na Amazônia, Especialista Em Educação Ambiental E Uso Sustentável Dos Recursos Naturais, Graduando Em Licenciatura Plena Em Física E Docente Do Magistério Superior Na Área De Economia E Desenvolvimento Agroflorestal Na Universidade Federal Do Pará.

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

A TRISTE DECISÃO DE MARINA SILVA


Prezados amigos, colegas de trabalho, irmãos e companheiros,
Estive lendo a carta que expressa à neutralidade de Marina Silva, sua decisão em ficar neutra na disputa eleitoral do segundo turno das eleições presidenciais em 2010,além de contar com a oportunidade que Gabeira lhe ofereceu, fortalecendo essa decisão ao deixar os membros do Partido Verde livres para votar em quem lhes “convier”. Dentre algumas das palavras que Marina expressou, uma delas é coloca da seguinte forma “Quando olhamos retrospectivamente a história republicana do Brasil, vemos que ela é marcada pelo signo da dualidade, expressa sempre pela redução da disputa política ao confronto de duas forças determinadas a tornar hegemônico e excludente o poder de Estado. Republicanos X monarquistas, UDN X PSD, MDB X Arena e, agora, PT X PSDB”. E neste contexto segue Marina Silva fazendo o seguinte questionamento “Há que se perguntar por que PT e PSDB estão nessa lista. É uma ironia da História: dois partidos nascidos para afirmar a diversidade da sociedade brasileira, para quebrar a dualidade existente à época de suas formações, se deixaram capturar pela lógica do embate entre si até as últimas conseqüências.”
Em primeiro lugar quero dar meus parabéns aos companheiros do PSOL, acredito que um voto crítico expressa a essência de uma realidade, principalmente na conjuntura atual, neste momento se pode realmente ver que existem duas propostas diferentes no momento que se observa quem são os apoiadores de SERRA e quem são os apoiadores de DILMA.Em sua essência as propostas se resumem de um lado o Brasil que da aos ricos,não rompe com a lógica do capital e com a estrutura econômica,mas aponta possibilidades para que pessoas com um poder aquisitivo menor tenham esperanças de que um dia as suas condições,culturais,econômicas e sociais irão melhorar.De outro lado um projeto que banca e garante toda a manutenção da lógica econômica e não permite que as pessoas com poder aquisitivo tenham em seu semblante a Esperança de dias melhores,por estas linhas escritas parabenizo os companheiros do PSOL.
Agora quero deixar meu enorme sentimento de tristeza pela opção traçada por Marina Silva. O centrismo é pra mim uma forte arma do oportunismo, Marina quando saiu do Partido dos Trabalhadores, foi fruto de uma batalha interna que ela havia perdido, mas se realmente tivesse como projeto um partido que combatesse o que vemos hoje não tomaria o rumo do PV, não porque este não seja uma alternativa ou porque não seja combativo, mas deveria fortalecer o seu grupo e as pessoas que depositavam nela a esperança da construção de um PT diferente. Mais triste ainda fico quando vejo a falta de dialética e diversidade na análise política e na fala da Marina acerca das dualidades, não acredito no reducionismo a que ela se reporta,se existe algum reducionismo é Marina quem constrói.Marina já colocou a crise ambiental como a tradução real da crise que vivemos hoje no capitalismo, que a crise ambiental é fruto  da parcela de cada setor (econômico,político,social,cultural dentre outros setores),ou seja,não são simples dualidades,os modelos são diferentes.
O que mais me deixou pasmo foi Marina afirmar que as origens do PT se assemelham com as do PSDB, como que podem se assemelhar?Ainda afirmando que os dois vieram para expressar a diversidade Brasileira, será que ela que militou com Chico Mendes, tem uma história toda cheia de vitórias justamente lutando contra pessoas ligadas as elites e muitos ligados ao PSDB acredita mesmo nessas suas afirmações?O PT mesmo para aqueles mais radicais de esquerda que afirmam  não conceber a idéia de um PT que surgiu para fazer a revolução,mas sim ser um instrumento de organização dos trabalhadores,pois os sindicatos tinham seus limites,nem mesmo estes apontam semelhança entre a origem do PT e do PSDB.Gosto muito de uma frase do Trotski em que afirma ele o oportunismo e o sectarismo serem duas faces da mesma moeda.Marina o PT surgiu nos sindicatos,fortaleceu e cresceu no meio rural apoiando a luta dos camponeses,isso sim é diversidade,miscigenação que coloca a luta de classes como elemento central e assim surge o Partido dos Trabalhadores,fico até me perguntando,será que eu tenho que falar isso?A Marina faz parte dessa história!Como agora ela é capaz de resgatar a dualidade num discurso reducionista e ao final colocar PT e PSDB como partidos de origem semelhantes e ainda afirmar que o confronto que existe hoje é dotado de um “ pragmatismo sem limites” e que este não deveria existir ,pois estes partidos se assemelham em sua origem.Concordo com Marina que há neste processo eleitoral um pragmatismo descomedido,mas isso é fruto de o PT esquecer suas origens,do PT cair no jogo eleitoral e deixar que a necessidade de garantir a vitória de Dilma seja banhada pelo esquecimento de bandeiras históricas de LUTA,isso sim o PT se assemelha ao PSDB nos dias atuais.

Um comentário:

  1. Leônidas, concordo contigo em gênero, número e grau. Marina foi a grande decepção para os ambientalistas que seguem a linha do ecosocialismo. Grandes desafios temos agora pela frente! E parabéns pelo blog.
    Abraços,
    Ana Carla- CJ-PA

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